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Paulo Afonso

 
A Cachoeira de Paulo Afonso
A história do Município de Paulo Afonso está intimamente ligada ao Rio São Francisco que passa por aqui movendo turbinas, gerando energia elétrica e produzindo progresso. Pode-se dizer que há um grande rio que passa por aqui e que, há séculos, vem trazendo vida para toda essa região.
Descoberto em 4 de outubro de 1501 - dia de São Francisco de Assis quando da exploração da costa bra­sileira por André Gonçalves e Américo Vespúcio, era conhecido como Rio dos Currais pois às suas margens iam se formando pousos de boiadas, caminho dos colonizadores que penetravam nos sertões povoando e cultivando suas terras.
Só a imponência e a beleza do Velho Chico, pra fazer com que D. Pedro II percorre-se centenas de quilômetros para extasiar-se diante de outra majestade, a Cachoeira de Paulo Afonso, e ali ficar, envolvido pelo barulho ensurdecedor de suas quedas, a desenhar-lhe as formas exuberantes. E merecer os versos imponentes de Castro Alves ou os acordes da sanfona e da voz de Luiz Gonzaga.
Rio São Francisco, da fonte cristalina da Serra da Canastra, em Minas Gerais à imensidão das águas de Sobradinho que fizeram o “sertão virar mar” realizando as profecias dos beatos ao abraço grandioso com o mar na divisa das terras dos Estados de Sergipe e Alagoas.
Entre os anos de 1852 e 1854, por decisão do Imperador D. Pedro II, o engenheiro alemão Henrique Guilherme Fernando Halfeld, que morava no Brasil desde 1824, fez um levantamento técnico das possibilidades de utilização comercial da hidrovia.
O engenheiro Halfeld percorreu o São Francisco, de Pirapora, em Minas Gerais até a foz, no Oceano Atlântico e anotou detalhadamente tudo o que foi encontrando, légua a légua, num trabalho meticuloso onde registrava as características da geografia da região, os aspectos físicos do rio, profundidade, sinuosidade, ciclo das águas.
Em 3 de outubro de 1725 o sertanista Paulo de Viveiros Afonso recebe uma sesmaria nas terras da província de Pernambuco cujo limite é exatamente as quedas d’água. Estendendo seus limites para além da cachoeira, Paulo Viveiros Afonso teria criado, já em terras baianas, o arraial que ficou conhecido como Tapera de Paulo Afonso. Somente a partir desta data encontram-se registros com o nome de Cachoeira de Paulo Afonso às quedas que estão no limite dos Estados da Bahia e de Alagoas.
 
Paulo Afonso não é somente uma fábrica de energia elétrica para o Nordeste do Brasil, mas também um núcleo de civilização no seu sentido mais largo, a levantar o nível de cultura, de saúde, de instrução dos sertanejos que defendem o seu lugar ao sol, às margens do São Francisco.
 
Delmiro Gouveia
Já no começo de 1903, depois de morar na Europa, “Delmiro escolheu um ponto ideal para fixar-se no Brasil. Ficava distante 18 km de Água Branca e 24 da cachoeira de Paulo Afonso. Era a desconhecida Pedra, estação da ferrovia Piranhas-Jatobá, lugarejo de meia dúzia de casas. Isolado naquelas brenhas manda buscar Eulina no Recife. E ali iriam nascer seus três filhos: Noêmia (1904) e depois Noé e Maria.”
Foi Delmiro Gouveia o pioneiro de Paulo Afonso, como o chamou o escritor Tadeu Rocha num relato precioso sobre este grande nordestino. Tadeu Rocha destaca em seu livro, dentre outros marcos importantes da vida de Delmiro o fato dele ter sido pioneiro em quase tudo no Nordeste. Da Vila Operária, do automóvel, da construção de estradas de rodagem, da energia elétrica, da água encanada, do telégrafo, do telefone, da tipografia, do descanso semanal remunerado para seus empregados, do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, dentre outras iniciativas pioneiras de Delmiro Gouveia.
Delmiro Augusto da Cruz Gouveia nasceu em Ipu, no Ceará, em 5 de junho de 1863, na Fazenda Boa Vista. Aos 4 anos perdeu o pai, major Delmiro Porfírio de Farias, morto na Guerra do Paraguai. Aos 15 anos morre-lhe a mãe e começa a enfrentar a vida sozinho.
Em 1903 Delmiro Gouveia resolve parar sua vida de andarilho. Estabelece-se em Pedra no Estado de Alagoas, próximo à Cachoeira de Paulo Afonso.
O comércio de couros estava em alta e lhe dava riqueza e poder. “Em certos dias chegavam a Pedra 200 a 400 burros carregados pois a própria empresa Iona & Cia. possuía mais de 200 muares que levavam, na ida ao sertão, cargas de querosene, café e sabão”.
Interessado em expandir seus negócios e empolgado com a idéia de se tomar industrial, já estudava Delmiro um meio de aproveitar o potencial energético de Paulo Afonso.
Os 1500 H.P. gerados nas duas unidades de Angiquinho foram suficientes para produzir progresso na região mas sobretudo serviu para calar políticos e poderosos e mostrar ao mundo o grande potencial que jazia, adormecido, nas corredeiras e quedas do Rio São Francisco.
A Usina Angiquinho funcionou normalmente até 1960 quando a Chesf já estava instalada na região há mais de 10 anos produzindo milhares de quilowatts de energia elétrica para o Nordeste.
A partir da idéia do pioneiro Delmiro Gouveia, o então Presidente do Brasil, Getúlio Vargas assina o Decreto autorizando a organização da CHESF - Companhia Hidrelétrica do São Francisco, oficializada em 1948 com a primeira Assembléia Geral de Acionistas.
Em torno da CHESF nasce a o que viria a ser a cidade de Paulo Afonso, antes denominada Forquilha, que até então, pertencia ao município de Glória. Só em 1958 nasce o município, através de sua emancipação política e o progresso chega então ao município.
 
Emancipação Política
O início das obras da Chesf trouxe para a região levas cada vez maiores de nordestinos. O lugarejo Tapera de Paulo Afonso começou a crescer, mais que isso, a inchar, desordenadamente.
Crescia também a discriminação entre o acampamento da hidrelétrica, bem arrumado, com casas grandes, amplos espaços livres e ainda escolas, campo de futebol, igreja, agência bancária, correio, feira livre, comércio e a Vila Poty, ao seu lado.
Separando as duas cidades uma agressiva cerca de arame farpado, depois substituída por um muro de pedras...
Assim era a vila dos pobres, conhecida como Vila Poty porque suas casas humildes, de taipa, eram forradas e cobertas pelos sacos vazios do cimento da marca Poty, usado nas obras da hidrelétrica. No outro lado do rio, em Alagoas, nascia a Vila Zebu, onde eram usados os sacos de cimento da marca Zebu, para cobrir e forrar as casas.
A transformação de Paulo Afonso em Distrito de Glória pela Lei Estadual n°. 62, de 30 de janeiro de 1953, des­pertou no povo da Vila Poty o desejo de ter representação política da Câmara Municipal de Glória e lutar pela sua emancipação política desse Distrito.
“Esta foi a minha bandeira de campanha para Vereador pelo Distrito de Paulo Afonso na Câmara de Glória, em 1954” (Abel Barbosa). Quatro candidatos do Distrito foram eleitos: Abel Barbosa, o mais votado, Otaviano Leandro de Morais, que seria o primeiro Prefeito de Paulo Afonso, em 1958, Hélio Morais de Medeiros, conhecido por Hélio Garagista e Moisés Pereira de Souza.
A campanha política para a emancipação política de Paulo Afonso crescia a cada dia. Cresciam também as dificul­dades e a truculência de algumas pessoas ligadas à administração da Chesf.
Conta José Rudival de Menezes, um dos abelistas proibido de entrar na Chesf, que a provocação começara quando, no dia 4 de setembro de 1955 o grupo de escoteiros dirigido por Abel foi proibido pela Chesf de participar do desfile cívico do dia 7 de setembro.
“Com a proibição da nossa entrada na Chesf os ânimos se exaltaram. A proibição se estendia a outros abelistas como Pedro Mendes, José Freire da Silva, Ivan Vicente, e mais alguns. Certa vez decidimos entrar na marra. Abel enrolou-se com a Bandeira do Brasil e seguimos direto para a casa do Juiz, Dr. Hélio Alves da Rocha, que também morava na Chesf, na Vila Alves de Souza, próximo à Casa de Hóspedes. Pouco depois a casa do Juiz estava cercada por cerca de 15 guardas comandados por seu chefe, Nilo Fan. O Juiz mandou a guarda se retirar e, felizmente, não houve nenhum confronto.”
Os primeiros passos para a emancipação política de Paulo Afonso foram dados efetivamente quando em 1954, quatro dos nove Vereadores da Câmara Municipal de Glória foram eleitos pelo Distrito de Paulo Afonso e Abel Barbosa despontava como o candidato natural para ser o seu primeiro Prefeito.
Quando a Chesf inaugurava festivamente o funcionamento da sua primeira usina, em 1955, a Bahia escolhia, em eleições diretas, o seu 32°. Governador, Antônio Balbino de Carvalho Filho, e Paulo Afonso vivia a ebulição política com grande participação dos estudantes do Ginásio Paulo Afonso, hoje Colepa. Reuniões com a participação de políticos regionais, comerciantes locais, estudantes, escoteiros, aconteciam em Paulo Afonso.
Segundo o pioneiro Diogo, Abel providenciou um transporte especial na época, um Jeep, para conduzir Moisés Pereira ao plenário da Câmara em Glória e assim poder contar com um voto certo nessa eleição que prometia ser difícil.
Aprovada a Indicação para emancipação política de Paulo Afonso em 10 de outubro de 1956, foi o processo en­caminhado à Assembléia Legislativa do Estado da Bahia e a atuação dos Deputados Otávio Drumond e Batista Neves, ambos do PTB, mesmo partido de Abel Barbosa, garantiram a aprovação do Projeto de Lei n° 910/57, do Deputado Clemens Sampaio, propondo a criação do Município de Paulo Afonso que foi aprovado pelos deputados baianos e sancionada pelo Governador Antônio Balbino em 28 de julho de 1958 com Lei Estadual n°. 1012/58, publicada no Diário Oficial de 2 de agosto de 1958.
Lei nº 1.012, de 28 de julho de 1958
 
Cria o Município de Paulo Afonso, desmembrado do de Glória
 
O Governador do Estado da Bahia
Faço saber que a Assembléia Legislativa decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Artigo 1°. - Fica criado o Município de Paulo Afonso, desmembrado do de Glória, com os seguintes limites:
 
Com o Estado de Alagoas:
- Começa no marco próximo ao povoado de Barra, na margem do Rio São Francisco desce pelo talvegue deste até a foz do Rio Xingó.
 
Com o Estado de Sergipe:
- Começa no Rio São Francisco na foz do Rio Xingó, sobe por ele até a foz do riacho Xingozinho ou do Sítio, por este acima até a foz do riacho do Veríssimo.
 
Com o Município de Jeremoabo:
- Começa na foz do Riacho do Veríssimo no Riacho do Sítio ou do Xingozinho que no seu curso superior tem o nome de Baixa do Angico, sobe por este até sua nascente, daí seguindo pela reta que vai em direção à Fazenda Tamanduá, até encontrar a reta de direção Norte Sul que parte da Fazenda Caraíba à margem do riacho do Tonã.
 
 
Com o Município de Glória:
- Começa na margem do Rio São Francisco no marco próximo ao povoado de Barra do Município de Glória, segue em reta na direção Oeste até encontrar o riacho da Baixa do Mulungu, sobe por este até a sua nascente, daí em reta da direção Sul, até encontrar os limites intermunicipais com Jeremoabo.
 
Artigo 2°. - O Município de Paulo Afonso será constituído de um único Distrito.
 
Artigo 3°. - A eleição do Prefeito e ‘Vereadores do Município de Paulo Afonso será realizada simultaneamente com as eleições gerais de 3 de outubro do corrente ano, e a instalação do Município e posse dos eleitos efetivar-se-ão a 7 de abril de 1959, ficando o seu território, até lá sob a administração do Município de Glória.
 
Artigo 4°. - O Município de Glória fica obrigado a aplicar no atual Distrito de Paulo Afonso, até a sua instalação como Município, 70% (setenta por cento), pelo menos, da renda nele arrecadada.
 
Artigo 5°. - O Município de Paulo Afonso responderá por parte da dívida do Município de Glória, contraída até a data da publicação desta Lei, e a sua avaliação será feita em Juízo Arbitral, na forma do Código do Processo Civil, salvo acordo homologado pelas respectivas Câmaras Municipais.
 
Parágrafo Único - Na avaliação prevista neste artigo, levar-se-ão em o conta a superfície e o valor do território desmembrado, bem como a média da renda municipal nele arrecadado no último triênio.
 
Artigo 6°. - Até que tenha legislação própria, vigorará no novo Município a legislação do Município de Glória, salvo a Lei Orçamentária que será decretada dentro de quinze dias da instalação do Município por ato do Prefeito, mediante proposta do Departamento de Municipalização.
 
Artigo 7°. - Os funcionários municipais, com mais de dois anos de exercício no território criado por esta Lei terão assegurados os seus direitos.
 
Artigo 8°. – Os prédios municipais situados no território desmembrado, passarão, independentemente de indeni­zação à propriedade do Município ora criado.
 
Artigo 9°. - Os casos omissos nessa Lei serão regulados pela Lei N°. 110, de 22 de dezembro de 1948 (Lei Orgânica dos Municípios).
 
Artigo 10°. - Revogam-se as disposições em contrário.
Palácio do Governo do Estado da Bahia, em 28 de julho de 1958.
(Ass) Antônio Balbino - Souza Dantas - Jorge Figueira - Josafá Dorges - Nelson Martins -Aloysio Short - Graça Lessa - Júlio Gadelha - João Andréa.
Transcrito conforme original.
Resumo feito por Luiz Ruben F. de A. Bonfim, do livro: De Pouso e Boiada a Redenção do Nordeste – GALDINO, Antônio; MASCARENHAS, Sávio.
Cangaço
O cangaço é sem dúvida uma dos mais importantes marcos históricos da região Nordeste. E ele também tem um pouco de suas raízes em solo pauloafonsino quando aqui nasceu Maria Bonita, denomina de rainha do cançago por ter como companheiro Virgulino Ferreira, conhecido como Lampião o rei do cangaço. Maria Bonita nasceu na região da Malhada da Caiçara, área rural de Paulo Afonso, distante a 45 quilômetros da cidade.
Por se tratar de um patrimônio histórico do município o prefeito Raimundo Caires decidiu recuperar a casa onde nasceu Maria Bonita. Ela se encontra em péssimo estado de conservação, praticamente no chão. A Prefeitura irá recuperar a casa e irá transformá-la em um ponto turístico no município. Para tanto, além de revitalizar o imóvel, ele será todo mobiliado com o estilo da época, terá uma cerca de proteção, sinalização para se chegar ao local e o acesso também será melhorado.
A coordenação do projeto de recuperação da casa onde nasceu Maria Bonita está sob a responsabilidade do engenheiro Adeildo Miranda e do pesquisador Luiz Ruben. Segundo Miranda vai ser aberta licitação e assim que sair o resultado as obras serão iniciadas.
 
 
A Maria que fez história no sertão
 
Seu nome era Maria Gomes de Oliveira, nasceu no dia 8 de março de 1911, na Malhada da Caiçara. Filha de Maria Joaquina Conceição Oliveira e José Gomes de Oliveira. Em 1929 se uniu ao bando de Lampião onde ficou até o dia do massacre que dizimou com o bando na data de 28 de julho de 1938, na Fazenda Angico, no então município de Porto da Folha.
Conhecida como a Rainha do Cangaço, Maria Bonita foi a primeira mulher a entrar para um bando de cangaceiros. No bando era tratada como Dona Maria, Maria de Lampião ou Maria do Capitão. Durante oito anos de vida em comum com o cangaceiro, teve quatro gestações, mas sobreviveu apenas uma menina, que nasceu no dia 8 de setembro de 1932, no sertão de Sergipe, e recebeu o nome de Expedita.
Na história do cangaço algumas mulheres eram escolhidas para companheiras dos cangaceiros sem possibilidade de recusa. Outras viam no bando de Lampião a opção de viver uma vida mais livre, aventurosa. Já Maria Bonita acompanhou lampião de livre e espontânea vontade. (fonte – Antônio Amauri Correa de Araújo, Lampião: as mulheres no cangaço). 
 
Fonte:Prefeitura M. Paulo Afonso
Site de Paulo Afonso- http://www.pauloafonso.ba.gov.br/

 
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